terça-feira, 14 de julho de 2009

Se fosse mais perto ia lá mais vezes!

Uma vez fui ao Brasil... Não tem nada a ver... mas fui! E lá, só há autoestradas em São Paulo e no Rio. E ninguém percebe porquê. Resignados dizem... é o terceiro mundo, sabes!
Onze dias depois voltava ao calor da minha Lisboa.
De volta, estive duas semanas entre trabalho de escritório e a viver essa cidade que me encanta onde tudo está perto e tudo me vem parar às mãos. Sem esforço, sem tropelias. Apenas com algum trânsito, ou alguns minutos de metro.
Ao final da segunda semana recebi ordem de marcha e zás!
Para Málaga num pulinho, 700 kms de auto-estrada entre Portugal e Espanha e já lá estava. 500 deles em Espanha. 200 numa auto-estrada que liga Leon a Sevilla. Vazia como sempre. Isso é que eu gosto daquela estrada!
Quinta para voltar Sexta, para voltar Domingo!
Qual fugareiro, qual camionista, qual... qualquer profissional que passe mais tempo na estrada que a ver jogos do Glorioso (Granda Benfas!!).
Quinta passou, chegou Sexta. Decidi-me por um itinerário alternativo já que tinha tempo para reviver velhos passeios pelo país profundo. A pressa de chegar aos meus destinos e as velocidades que normalmente emprego nas minhas viagens impede-me de fazer as tão adoradas incursões em estradas onde posso encontrar as Velhas do outro ou sonhar as quintas de um dia...
Mas Sexta pude. Saí de Málaga às 1130 locais e às 1330 locais já passava pelo posto misto da não tão nova travessia do Guadiana em Castro Marim. Hummm.... Que fome! E se fosse almoçar à Vila Museu? Assim foi. Por um IC que eu nem sabia existir, o 27, lá cheguei até Alcoutim. Pelo caminho, aliás bastante rápido, uma serra algarvia onde não se vê vivalma. Aliás, um IC onde eu, Marco Rocha, ao volante de um Renaul Clio, me cruzei com um carro e ultrapassei um tractor. Deixou-me a pensar... para quê esta estrada tão boa? Para quê gastar tantos milhões de euros numa estrada que reduziu a distância entre Vila Real de Santo António, essa enorme metrópole, e Alcoutim, talvez pole... de metro não tem nada, em apenas uma hora. Será uma hora? Nem sei... Às tantas reduziu meia hora. Não acredito... terá sido mesmo uma hora. Que me diga quem conheça o que era a estrada antiga. Importa-me referir que Alcoutim foi, em tempos, um dos concelhos mais pobres da Europa. Não sei se ainda é, mas pelos quilómetros de absolutamente nada que vi, admito que sim...
Pois bem, não era esse o meu destino. Era Mértola, Vila que para mim, muito pessoalmente, tem encanto como nenhuma outra em Portugal. Bem vistas as coisas, todas têm o seu encanto, e é de cada uma, nenhuma copiou o encanto de outra, né? Ok, se o Cacém é vila esqueçam a questão de todas terem encanto! Quem diz Cacém, diz... Paio Pires, ou Fernão Ferro, ou tantas outras... agora isso não interessa nada, mas... Dá sondagem... Qual a vila menos encantadora dos arredores de Lisboa? Tinha porém um problema... a maioria são cidades! Até a Costa é cidade! Vale tudo! Enfim... Voltando a vilas com encantos...
Passando Alcoutim voltei ao verdadeiro Portugal profundo... A estrada estreitou 10 metros, passando a ter uma faixa de auto-estrada para circularem dois sentidos, um piso típico que se torna quase liso por tantos remendos que já tem, curvas e contra-curvas onde um daqueles LASO (Camiões de transporte de pás de aerogeradores) ficava encravado e claro, bermas fabulosas para... quais bermas? O calor forte apertava, a fome também e Mértola que é bom, tá quieto!
Eis que de repente lá estava! O Convento de São Francisco com a sua espécie de museu da água e galeria de arte. Estava a chegar!
Gosto mesmo daquela terra! Da ribeira de Odivelas, ao Guadiana, à torre da Cegonha, ao Castelo, aos vários edifícios públicos, ao museu da câmara e, claro, às minas de São Domingos. Mas não era dia para nada disso. Era dia para comer, apreciar aquele ar quente, silencioso, com aroma a esteva e rosmaninho (Ena pá! Rosmaninho? Não faço ideia... não deve ser... mas que cheira bem, cheira!), ouvir o silêncio e simplesmente estar. Estar enquanto comia bem. Estar enquanto apreciava. Estar enquanto pensava no que veio, vai, ou foi. Estar. É o tipo de ar que nos deixa a simplesmente estar. Até porque se me mexer por pouco que seja desidrato!
E assim foi. Recomendação do Chefe de serviço (De outra vila sem qualquer encanto... Desculpa Manuel, mas é verdade!) lá fui em busca do Brasileiro. Noutras ocasiões já tinha pensado nisso, mas o facto de um restaurante de cozinha regional Alentejana se chamar "O Brasileiro" despertava-me algumas reticências... Encontrei. Entrei na esplanada e vi a lista. Porra! Odeio quando isto me acontece! "Desculpe, não me podia servir um pouco de cada?" Devia ter perguntado... A indecisão que me inunda perante listas com tantas coisas boas é terrivel. Odeio. Acabei por me decidir por uma Açorda de Perdiz brava. Resultado? Eu, esplanada, 40 graus, duas médias fresquinhas e a melhor açorda de perdiz que já comi. A melhor seria fácil, visto que foi a primeira, mas porra! Estava mesmo boa! Sobremesa... "Tem fruta?" "Sim, laranjas e maçãs." "Melão, não tem?" "Tínhamos, sim, mas deixámos de ter... Sabe o que é? Fizémos um contracto com um senhor da Amareleja..." Calha bem, pensei... terra do Melão! "... acontece que os melões saiam de lá pela manhã e quando aqui chegavam à tardinha já estavam estragados! Desistimos!" "Mas como estragados?" "É da viagem... é longa e cheia de solavancos. A fruta não aguenta!" Comi uma laranja. Óptima. Seguramente do Algarve, aproveitando o tal 27 e mais uns 20Kms de solavancos... A laranja aguenta mais, né?
Pois bem... tudo isto para quê?
Adoro que me digam que as estradas novas e as auto-estradas são um disparate. Adoro que me digam que a A6 é uma parvoíce. Adoro ver gentinha tacanha de Lisboa que por terem nascido em berço dourado acham que podem sobre os destinos de quem teve a sorte de nascer longe da confusão. Sorte para eles, claro. Eu adoro a confusão. Mas também adoro o meu país. Todos os seus recantos à excepção das tais vilas e cidades sem encanto. Para essas, o meu Não adoro.
Mas acima de tudo adoro a gente deste país. A gente que dá a palavra aos mais idiotas que, estando convencidos que são inteligentes e mais espertos que os outros todos, só conseguem sacar gargalhadas de quem sabe o que o país é e como está.
Adoro comboios. Acho que esse é o caminho. Rápidos e lentos. Todos têm o seu espaço. Estradas estreitas e largas, boas e más. Mas tudo com conta, peso e medida. Se hoje eu demoro uma hora e pouco a chegar a Évora, é porque alguém investiu. Nós.
Os meses que levo em Espanha, e os kms que já por lá fiz, deixam-me a pensar na quantidade de barbaridades que se dizem neste país. Poderia dissecar uma a uma, mas o texto já vai longo e não quero maçar ninguém com o tema das Obras Públicas.
Em suma espero que tenham percebido o que quero passar aqui... Caso contrário uma dica...
Se O Exmo. Sr. Miguel Sousa Tavares tivesse chegado à fala com o Marquês, e se o tivesse convencido, hoje não passaria uma mota na baixa pombalina, quanto mais autocarros da Carris! Isto claro, se ele não lhe tivesse logo cortado a cabeça! Ah granda Marquês! (ironia nesta parte...)
Dê-se razão ao ministro. É um deserto. Por falta de água, por falta de gente, por falta de muita coisa. Mas estes Tuaregues merece ser tratados como o Miguel. Com metro, estradas, comida fresca, e vá... fibra óptica!
Para não ser só dizer mal, cá vai mais um dizer bem. Vejam lá se não é mesmo gira!

With love from "uma vila museu desterrada no deserto do Miguel"
Marco

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Fotos de Santos

Curto e grosso...
Aqui vão meia dúzia de fotos!
Vou tentar comentar...
São poucas, mas de boa vontade.

Dizem os taxistas e até poderá ser verdade... É o maior jardim do mundo! Hummm, cá para mim não sei, mas lá comprido ele é... 8 kms, ou lá o que é! Entre a marginal e a praia, de uma ponta à outra de Santos, há este belo e bem tratado jardim!
América do Sul. Cheiro a álcool queimado é constante. Os carros andam a álcool, tás a ver? O meu hotel está ali ao fundo, o Carina flat Hotel. Gosto particularmente dos quiosques que vendem pasteis de tudo e mais alguma coisa!
O Torto. Este é mesmo torto. Não, não é ilusão da foto, paralaxe ou qualquer outro truque. O monstro de 20 (?) andares está mesmo muito torto! Porquê? Simples. O terreno é pior que mau. As fundações antigas? Sapatas. Más sapatas. Bom... más não será bem o caso, mas na verdade com argilas e areias como tenho visto aqui, fazer fundações de edifícios destes por sapatas são tiros nos pés uns atrás dos outros. Diz o levantamento dos edifícios de Santos que são 150 prédios tortos! Porra, Pizza é para meninos!
Mais América do Sul. Mais álcool. Lanchonetes. Calçada quase portuguesa. Cor. Gente porreira. MPB. Samba. Não sei bem o que é, mas seja o que fôr é sambado!
Vila rica de Santos. Boas casas. Apartamentos de 3 milhões de Reais (1 milhão de euros). Muito verde e ruas limpinhas. Outra América do Sul!
Mais Vila rica. As árvores tropicais são nativas, né?! Muito verde. Gosto!
Carreto. Já vi dois Ferrari e... bem, nem sei... muitos mas mesmo muitos destes! O IPO que não chegue ao Brasil!!!
Mais cidade de Santos. mais canteiros verdes. Mais cheiro a cachaça. Mais calçada portuguesa.
Ilha de Urubuqueçaba. Onde é que estes gajos arranjam estes nomes?!?! Uma ilha com look completamente tropical mesmo em frente a Santos. Dezenas de abutres (Urubus?) fazem aqui a sua residência.
Santos! Água do mar imprópria. Só os surfistas e meia dúzia de corajosos arriscam mergulhar nestas águas. Nunca fiando, vejo os outros mas não tento...
Primeira linha de praia de Santos. Nunca vi tanta gente na praia a fazer coisas que não praia! Jogam o que for, menos Basket... Bebem de tudo. Comem de tudo. Passam horas a andar de um lado para o outro. Ou a correr. Têm muita praia e dão-lhe uso! Parado na praia, sentado, ou a andar, são frequentes os carros da polícia a patrulhar a areia. Não vi um único local a mandar lixo para a areia. Boa malha!
Foi aqui que ele nasceu no Brasil. Fizeram homenagem!
A VW Combi e o Fiat Uno ainda se fabricam! Mais américa do Sul!
Não me digam que não vêem que o gajo está torto comó raio!!! Nos primeiros dias não olhava para outra coisa. Passava na marginal sempre com a cabeça virada para cima a ver os prédios... Impressiona!
Boa malha de fim do dia! Tenho pena de uma coisa... Não acho graça nenhuma à água de coco!!!! Raios!
A entrada para o Porto de Santos. O maior da América Latina. Porque é que a água do mar é imprópria para banhos? Isso....
Praia com coqueiros... Água de coco mesmo aqui e eu... não gosto! Grrrr...
Bonito jardim. Dá mesmo boa pinta à cidade!

Então e tu? Não apareces? Pois... fui eu quem as tirou... Desvantagem de passear sozinho num país onde me estão sempre a lembrar que assalto é coisa frequente! Eu ainda não vi nada! Nem sei do que estão falando!
E pronto... por hoje são estas! Nestes dias confesso não ter passeado muito mais que isto... Sabem o que é? Até tenho trabalhado...
Mas espero poder mostrar mais em breve. De Santos e não só. Porque acreditem. Não estou no Brasil do Turista ou do Gringo, e deste, deste Brasil de cor, música, e vá... de alguma classe média, eu até estou a gostar!

With love from Carina Flat Hotel,
Marco

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Cheirinho a Santos!

Saído da obra, passeio com os colegas até à lanchonete para umas Original e uns pasteis (bons pasteis e melhores originais, hein!?). Por onde fomos? Beleza... Pela praia mesmo!
Santos é conhecida pelo seu clube (Leo, Leo, Leo) e claro, pela enorme quantidade de prédios completamente tortos. Há um, inclusivé, a que chamam Torto. Espectáculo!
Este não é o Torto, mas direito é que ele não está! (No conjunto dos três ao centro, é o da direita... Ao vivo nota-se bem melhor!!)
É só um cheirinho...


With love from Canal 3,
Marco

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Airborn!!

Terça-feira, 16 de Junho da graça de 2009.
O relógio marca as 0600. Hummm... acho que estou a ficar atrasado! Liguei para a rádio taxis, peço um taxi para a Mariano Pina e... música! Da boa, daquela que foi satirizada pelos gatos há já algum tempo. Um belíssimo midi reproduzindo um qualquer clássico da música encheu-me os ouvidos por perto de quinze minutos. Pois! Quinze minutos! Esperei, esperei, esperei e, finalmente, lá me disseram "trezentos e oitenta e três".
Despedi-me do paizinho e desci. Já lá estava. Um belo Mercedes com as molas dos bancos estragadas.
Chegado ao Terminal 2 fumei... check-in... fumei... fumei... encontrei três pessoas conhecidas! Uma delas, ou melhor, um deles, colega de secretária do 12º ano! Ele há cada uma nos aeroportos!!!
Mais quatro cigarros, uma carta nos correios, um telefonema com a mana e beijinhos à familia e lá fui eu!
Calma... lá fui eu para o Porto. Eu e mais uma quantidade de gente que lotava a ponte aérea...
Chegado ao Porto a vozinha metálica informava "os passageiros em ligação devem-se dirigir ao pessoal em terra.". Foi o que tentei fazer, mas... qual pessoal em terra!? No terminal de chegada do Sá Carneiro nem uma pessoa à vista! Procurei, hesitei, desisti! Saí do terminal e aí sim, perguntei. "Só tinha de subir as escadas ou o elevador!" Olha, merda! Aproveitei e mais um cigarro!
Subi pelo elevador e lá fui de novo para o ponto de control. Tive de mostrar tudo de novo: bilhete, computador, cabos, cinto, cadeados, e tudo e tudo e tudo... mesmo depois de eu insistir... "Vim agora da Portela e não me pediram para mostrar isto tudo!"... só consegui um "Pois, mas são normas europeias, em todos os aeroportos deveria ser igual!". Raios! Os srs da Portela são bem mais simpáticos! Embarquei!
Sem choros de Alfas de outros tempos, sem gente barulhenta, com pessoal de bordo impecavelmente simpático, dois filmes positivos, um almoço tranquilo, um lanche interessante e, claro, uma posição desesperantemente desconfortável. Sim! Desconfortável. Desta vez não pelas pernas, essas iam perfeitamente esticadas, mas pelo tipo do lado que, tendo-se sentado antes de mim, tomou completamente conta do apoio de braço central e não mais o soltou! Estúpido!!!
Quase dez horas depois a altitude baixava para os 400m e o monitor apagava-se. A vista pela janela não era Lisboa... Quilómetros de cidade, grande parte pobre, barracas, umas coladas às outras, milhões de pessoas viviam ali. Pfff, pensei... Isto assusta!
Quinze minutos depois, um aplauso colectivo. Eu não! Não aplaudo estas merdas. Se a estaca que eu fizer tiver 0% de areia ninguém aplaude! É o meu trabalho!
Malão recolhido, café bebido, água bebida, cigarro fumado.
Porta do Aeroporto Governador André Franco Montoro, Guarulhos, tudo é diferente. Tudo é bem diferente. As árvores, os carros, as gentes, o ar, a cor, o dia, o céu, a forma como a água gira. Tudo é mesmo diferente.
É o Brasil. É a América Latina!

With love from Guarulhos,
Marco

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A ciência do Guarda-chuva


Chove. Tormenta, aliás! Aqui onde este mar começa e esta terra acaba faz um temporal do demónio!
Cabo de Creus de seu nome. A sua povoação mais extrema, Cadaqués. Granitos e Xistos. Clássico do Ordovícico (Raios! Ordoquem?). Olivais abandonados, olivais a produzir. Mediterrâneo. Casas brancas, casas de pedra. Xisto. Ruas limpas, casas estranhas. Como Cadaqués. Estranho, mas giro.
Voltando... Chove. Faz frio. Roupa quente? Não tenho. A bagagem que trazia está algures em Barcelona ou Lisboa ou Girona ou... Sei lá! Talvez amanhã. Mas isso são outros tantos.
Guarda chuva, né? Pois bem...
Fui jantar ainda há pouco. Terra de turismo, a lembrar o "very typical" tem a forte desvantagem dos seus turistas serem essencialmente da parte Norte da Europa. Resultado: é tudo caro comó raio! Pedi referências à garota da recepção do Hotel Tarongeta que me recomendou um restaurante de pastas, por sinal invariavelmente fechado, ou uma pizzeria no rossio cá do sítio. Não sou muito de pizzas nem pizzerias (excepto as do Manel, claro!), mas depois de passar os olhos pelas listas dos "very typical" tive de me render ao valor da moeda e correr para a pizzaria!
Entrei, pedi a lista e até tinha frango. Frango assado à espanhola, conceito diferente, mas teria de servir! Sentado na primeira linha de vista para o mar fui comendo um gazpacho e bebendo uma sangria. Lá fora chovia a cântaros, dos grandes, tipo ânforas de azeite, coisas mesmo grandes! Na esplanada protegida não chovia, mas que frio fazia... Lá fora... chovia... E eu? Sequinho!
No hotel, antes de jantar, força das ciscunstâncias pluviosas, pedi um guarda chuva emprestado. Segui para a La Gritta protegendo-me como podia do dilúvio quase bíblico. Aqui entra a ciência da coisa. Não houve dilúvio bíblico nenhum! Não há registos históricos alguns desse grande castigo divino! Não houve! Ok, são argumentos da ciência (Na minha ciência um "não é" é um argumento perfeitamente aceitável, ok?!) mas não era esta a ciência a que queria chegar...
Foquemos a nossa atenção no uso do guarda chuva.
Instrumento de forma estranha, lembrando Orbitolinas (Orbiquem!??!), podem ser definidos no espaço por funções matemáticas de complexidade não tão complexa (Isso é que era ciência à séria... era eu espetar aqui a equação de um parapluie!). Equações à parte é no seu uso que efectivamente se pode estudar toda a sua ciência.
Como usas o teu guarda chuva? Pergunta à partida totalmente despropositada tem, na sua essência, uma importância tremenda.
Tomemos então atenção aos estilos de chuva. a)Chuva molha tolos do tipo 1; b)chuva de meio litro do tipo 1; c)chuva 5 grama do tipo 1 (ciência é ciência e as unidades não têm plural!); d)chuva molha tolos do tipo 2; e)chuva de meio litro do tipo 2; f) chuva de 5 grama do tipo 2; g)chuva molha tolos do tipo 3; i)chuva de meio litro do tipo 3; j)chuva de 5 grama do tipo 3. Porra, tanto estilo de chuva e não incluí a cacimbada! Apresentados os estilos de chuva (menos o h que é mudo...) expliquem-se e apliquem-se então os guarda chuvas. De um ponto de vista genérico os tipos 1, 2 e 3 relacionam-se com a inclinação da precipitação em que o 1 é vertical e o 3 sub-horizontal.
a) Chuva molha tolos tipo 1
Uma chuva molha tolos de tipo 1 é aquela treta de chuva da qual só se protegem com intrumento as velhinhas e quem ainda não reparou que já parou de chover. Só depois de 3 horas debaixo da sua vontade é que se sente realmente que molha. Julgo que em apenas 30 segundos estraga horas de salão de cabeleireiro. Assim se explica as valhinhas, né? Solução umbrella? Não se usa, ponto!
b) Chuva de meio litro tipo 1
Gotas pesadonas, grandes, tipo com meio litro cada uma. Um bom instrumento resolve qualquer problema. Aplica-se o instrumento na vertical, com o varão vem encostado ao peito, e já está. Evitem-se as poças e nem parece que chove!
c) Chuva de 5 grama tipo 1
Gotas médias. Solução? Mesma que as gotas gordas. Chapéu de chuva encostado ao indivíduo e vamos embora! Sem dramas nem dilemas.
d) Chuva molha tolos tipo 2
Mesma solução que para o homónimo de tipo 1. Chapéu para quê s'isto não molha!? Isso!
e) Chuva de meio litro (ou de 5 grama) tipo 2
Gotas gordas (ou médias) ligeiramente tocadas a vento. Importante, em 1 minuto (5 minutos) estás encharcado! O guarda-chuva é, de facto de utilidade extrema (dá jeito um guarda-chuva...vá!). Caso de estudo: Cadaqués, 13 de Maio de 2009. Solução? Depende das pessoas. Ok, três tipos de pessoas. Os que não querem saber, molham-se e pronto; os que revelam uma total preocupação em não se molharem (autor incluido); e os que pensam que a simples utilização de um guarda-chuva os vai manter secos, mesmo que o guarda-chuva esteja fechado! Oi!? Pois é. Aqui é que se revela a verdadeira ciência da coisa. Um guarda chuva de 2 metros de diâmetro é um chapéu de sol. Mas vejo por aí muita gente que só assim se safava... Onde é que as pessoas andam com a cabeça quando pensam que para chuva inclinada a 45º podem manter o chapéu precisamente na perpendicular do tronco e com o varão a um palmo da cara? Claro, a cara não molham, a cabeça talvez não, mas... e as costas!? Um par de beefs ia à minha frente. A chuva vinha pelas costas. Eu, precavido, levava o chapéu inclinado para trás e relativamente alto para fazer maior zona de "sombra", resultado? Cheguei impecavelmente seco à Gritta. Eles, com aquela máxima de "ter chapéu é suficiente" estavam completamente encharcados, mas como não viam... tranquilos! Pá! Malta! A chuva molha! Pelo menos a deste tipo. E pode-se evitar com a utilização correcta do instrumento! Vá... vamos a saber utilizar o Guarda chuva, por favor!
g,i,j) Esquece... chuva tocada a tanto vento que parece que vem do chão! Chapéus há muitos e estão nos caixotes do lixo! Solução? Granda molha! Outra solução? Não saias e acende a lareira!

Meus amigos, já percebi que reptos e pedidos não funcionam neste blog...
Mas a boas palavras de ordem ninguém pode dizer não...

Chapéus de chuva Sempre! À toa Nunca mais!

With love from Cadaqués,
Marco

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Estação lunar?

Será uma estação lunar ou simplesmente uma obra de fundações?!
Aposto na segunda, mas eu tenho informações da base...


With love from the Guadalhorce bank,
Marco

Esperança

Coisa engraçada, a escrita. Há meses, vá semanas, que ando para escrever um post sobre um tema. Writer's block, não tenho conseguido. Hoje, na obra, liguei o msn. Frases saíram fluentes, linhas atrás de linhas escrevi o que me apeteceu. E o que não me apeteceu também. Já disse que há bocado começou a chover?!
A bandeira, a nossa bandeira, tem três cores. Principais são três. Uma é a esperança. Mas que esperança?! Representação estilizada da bandeira em mesa de restaurante colocou um vermelhão enorme (compreendo, Benfas!), um amarelo proporcional, mas um verde do tamanho de um rasgo de folha de alface. Explicação. A esperança é pequena.
Nesta estranha labuta que levo, fui iniciado às questões da gestão transcultural de recursos humanos. Aparentemente um disparate das Sociais e Humanas, acabou por ter alguma piada e me abrir os olhos para algumas coisas interessantes que vejo, em Portugal e, claro, em Espanha. Talvez em Portugal numa perspectiva de desafio face às ideias pré-concebidas sobre nós, portugueses. Em Espanha numa perspectiva de "ver se encaixa". Encaixa na perfeição. Um Espanhol dirá certamente o mesmo sobre os Portugueses.
Mas afinal o que diz essa tal lenga lenga da "transcultural não sei quê"?!
Pois bem, tempo tenho e, como sabem, gosto de explicar coisas (hehe, já lá está no perfil... topam!?), portanto... ora bem (forma como outra qualquer para começar uma exposição e, para mais, da qual eu sou fã!):
Diz um sujeito de seu nome Hofstede, Holandês, que uma sociedade (ou uma cultura) pode ser caracterizada por quatro parâmetros ou dimensões. Eles são: Distância de poder; Individualismo versus colectivismo; Masculinismo versus femeninismo e Aversão ao risco.
Portugal está a meio da tabela dos paises fixes e a Guatemala está em primeiro lugar. Nã.... brincadeira. Não há paises fixes nem menos fixes. O que há são 4 dimensões. Que tentam refletir diferentes tipos de sociedade e cultura.
Como se cota então um país!? Comparativamente. A única forma. Tendo por base uma sociedade que conhecemos bem, e sabendo os valores de um determinado parâmetro, podemos tentar perceber o que há noutro país naquela dimensão cultural.
Concretizando. Distância de poder. Portugal tem uma distância de poder de 63. A meio da tabela. Isto quer dizer que encaramos os chefes como chefes, mas ainda assim lá os vamos desafiando e achamos que um dia podemos lá chegar. Paises nórdicos, por exemplo, têm este valor muito baixo. Todos acreditam que podem chegar a chefe. Na Malásia, este valor é máximo. Quem nasce da cepa torta, jamais se vai endireitar.
Individualismo. Portugal é anfitrião de uma sociedade altamente colectivista. Das mais colectivistas do mundo. Isto quer dizer que, por exemplo, para me ganhares, tens de ganhar os meus amigos. Eu presto atenção ao que eles dizem e, se para eles estarem bem eu tenho de estar um pouco pior, então até pode ser. O grupo, o meu grupo, existe e não é exclusivamente composto por mim. E pelo meu grupo, seja de que tamanho for, mas tendencialmente grande, eu farei o possível e até mesmo o impossível. Ingleses, por exemplo, altamente individualistas, acreditam no seu núcleo (por oposição a grupo), farão o possível para que as suas conquistas pessoais existam, não se preocupando tanto com o núcleo, mas sabendo que, em última análise, o seu êxito será também do seu núcleo. Não é altruismo nem egoísmo. São formas de chegar ao mesmo ponto. Uma por um lado, outra por outro.
Masculinismo. Não somos machos. Não somos. Ok, portuguese do it better! Mas a sociedade portuguesa é feminima. É mau!? Nem bom. É uma forma de ser. Somos ligados às relações interpessoais. Somos latinos. Temos preocupações sociais, mesmo que mascaradas ou limitadas por uma parca capacidade financeira, mas temos.
Por último, Aversão ao Risco. Somos a par com a Grécia (!??!) a sociedade com maior aversão ao risco. Ora este ponto é-me particularmente sensível. Então o povo que em vez de continuar a cavar e a apanhar castanhas para comer com o porquito se aventurou pelos mares tem forte aversão ao risco?! Temos medo da inovação e do que é diferente!? O que me leva de volta à esperança...
A esperança é curta. O medo de arriscar é grande.
Vamos trocar as cores. O vermelho seja a esperança e se mantenha assim mesmo, grande (Benfas!)! Que arrisquemos no que não conhecemos. Que inovemos no dia a dia e nas grandes decisões. Mas acima de tudo, que não tenhamos medo do que é novo. Que não punhamos de parte o que aparece só porque não conhecemos. A novidade pode dar desconforto. Pode. mas também pode dar coisas novas, bonitas, e que nunca antes vivemos. Por isso são novas!
O quinto império já foi. Os Descobrimentos ficaram na memória e na Praça do Império. Mas as descobertas essas, são as que nos podem dar um dia novo, um depois do outro. Novo, diferente e, quem sabe, melhor!

With love from Um admirável mundo novo,
Marco